domingo, 1 de março de 2009

Loide Aéreo - selo de propaganda de 1959.

Loide Aéreo Nacional
A história do Lóide Aéreo Nacional inicia-se com a fundação da Empresa Carga Aérea S/A, em Anápolis, GO, em 22/12/1947, com o capital de 30 milhões de Cruzeiros. Seu fundador e primeiro presidente foi o médico Rui Vacani, o mesmo que em 1928 fundou a Nyrba, futura Panair do Brasil.
Rui Vacani era cunhado de Hugo Borghi, banqueiro e político paulista e entusiasta piloto-aviador amador. Borghi apoiou Getúlio Vargas, tendo sido seu grande eleitor para presidente da república. Atribui-se a ele a autoria do apelido de "marmiteiros" dado aos trabalhadores que apoiavam Vargas. Borghi gozava de favores de Getúlio, tornando públicos, no ínicio da década de 50, seus negócios de exportação de algodão que eram, dizia-se, favorecidos pelo presidente. Além de Borghi, eram acionistas da empresa Roberto Taves, um dos fundadores da Aerovias Brasil e o cel. Marcílio Gibson Jacques.
O grupo interessava-se inicialmente por um vasto projeto de colonização no interior de GO. A empresa transportava por via aérea material e trabalhadores até a área de colonização em Ceres. Empregava 3 aviões C47, um dos quais se acidentou.
Em 24/08/1949, a T.C.A. foi reorganizada, mudando seu nome para Lóide Aéreo Nacional, com o mesmo capital. Assumiu a presidéncia o Cel. Nero Moura, que na WWII comandara o Grupo de Caça da FAB na Itália. Moura afastou-se do Lóide quando foi nomeado ministro da aeronáutica, por Getúlio Vargas.
O Lóide Aéreo foi logo autorizado a importar 9 aviões Curtiss Commando, iniciando-se serviços regulares nas rotas RJ-BH-Carolina-São Luís, com pouso facultavio em Formosa-GO e RJ-BH-Lapa-Fortaleza.
Nos primeiros meses após sua reorganização, o Lóide formou um consórcio com as Linhas Aéreas Paulistas (LAP) e com a Transportes Aéreos Bandeirantes (TABA). Na realidade, a partir de 1959, o Lóide praticamente incorporou essas duas pequenas empresas.
Progredindo aceleradamente, em 1956 o Lóide já contava com uma frota de 19 Curtiss Commando, 3 dois quais eram cargueiros e servia em todos os estados brasileiros, com exceção do estado de Mato Grosso.
Em 22/11/1956, o Lóide e a Panair assinaram um acordo operacional de 2 anos de duração, renovável se fosse bem sucedido. A base do acordo era a divisão do território nacional em áreas de influência ou zonas geográficas, na qual uma das empresas seria predominante para evitar a competição ruinosa.
Em fevereiro de 57, o Lóide encomendou 4 quadrimotores Douglas DC6, para passageiros, mas conversíveis para carga, ficando estabelecido que seriam alugados à Panair que os empregaria em seus vôos internacionais. Por sua vez, a Panair comprometia-se a não competir com o Lóide na exploração das rotas domésticas longas com esses aviões ou equivalentes, o que possibiltou ao Lóide usar nessas linhas os quadrimotores Douglas DC4, comprados durante o ano, da Western Airlines e United Airlines. Em conseqüência do seu insucesso, por várias razões, o acordo foi desfeito em 1958.
O Lóide continou sozinho na sua trajetória, com relativo sucesso. Os Douglas DC6 chegaram em fevereiro de 1959 e foram alugados à Panair, que os utilizou até 1961 e voltaram a usar as cores do Lóide.
Também em 1959 o Lóide inaugurou um serviço de transporte de carga para Miami, no Mês de julho. Dois DC4 foram comprados para substituir dois que se acidentaram.
Os negócios do Lóide declinaram em 1960, obrigando-o a iniciar uma guerra de tarifas, baixando substancialmente as suas. Os Os vôos vindos do Norte pelo litoral chegavam lotados ao Santos Dummont, o que valeu aos aviões do Lóide o apelido de "Navio Negreiro".
No dia 24/10/1961 o Lóide assumiu o controle da Navegação Aérea Brasileira (NAB), que continuou como empresa independente.
Em 1962, o Cel. Gibson depositou nas mãos da VASP, um pacote contendo o Lóide, NAB e a Lemcke, em troco de 600 milhões de cruzeiros, a serem pagos em 3 anos. Assim termina a rápida vida do Lóide Aéreo Nacional, que conseguiu no curto prazo de 12 anos, fazer algumas fortunas.
Aviões Operados TIPO QUANTIDADE PERÍODO:
Douglas DC-3 03 1948-1951
Curtiss Commando 33 1949-1962
Douglas DC-4 10 1957-1962
Douglas DC-6A 04 1961-1962
O Lóide utilizou ainda 3 Curtiss Commando da TABA, 3 DC-3 e 1 Curtiss Commando da LAP.
Douglas C47/DC3 Dakota:Foi o primeiro avião da cia. Inicialmente usou três versões militares (C47), que podem ser diferenciadas pelas portas de carga. Posteriormente ainda usou outros 3 modelos, quando formava um consórcio com a LAP. O DC3/C47 pode ser encontrado em diversas escalas e fabricantes, sendo que a 1/72 é a mais comum.
Curtiss C-46 Commando:Com certeza esse tipo foi o carro-chefe da Companhia. Um fato interessante é que essa foi uma das poucas cias. a usar o modelo em maior número que os DC3. O Curtiss Commando caiu no ostracismo, com o surgimento do DC3 e até no modelismo, são raras as opções. Existe apenas uma opção em 1/72 (William Bross) e outra em 1/144, em resina (muito raro).
Douglas DC4 Skymaster: O segundo tipo mais operado pela empresa foram os DC4. Eles eram usados principalmente para carga e para operar em rotas nacionais de longa distância.
Douglas DC6 Cloudmaster:O DC-6A era versão com portas grandes que permitiam também a carga de containers. Podia ser tanto usado para transporte de passageiros como de carga. No Brasil foram usados 4, todos adquiridos pelo Lóide Aéreo. Foram alugados pela Panair e usados de 59 a 61. Voltaram para o Lóide em 61 e mais tarde passaram para a VASP. As matrículas eram PP-LFA, LFB, LFC e LFD. A lista de kits usa o DC6B como referência, sendo necessário apenas, redesenhar as portas de carga.



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